Olá, mundo!

Este é o primeiro post deste blog onde irei publicar minhas reflexões sobre o mundo. Provavelmente ninguém irá ler este texto, mas isso não tem importância. Não vou escrever para agradar alguém ou algum algoritmo. E acho que este deve ser o primeiro tema que eu quero refletir sobre. A importância de ter uma presença online fora das redes sociais.

Inicialmente as redes sociais eram um lugar onde poderíamos manter contato com amigos e familiares distantes, divulgar para eles o que está acontecendo em nossas vidas e até mesmo conhecer pessoas com interesses em comum. Eu não fui um adepto das redes sociais nos seus primórdios aqui no Brasil. Não tive conta no Orkut, os poucos contatos que tinha era através do MSN conversando com meus amigos. Além disso, eu ainda cheguei a viver uma época em que não existia a internet, e mesmo nos seus primórdios em terras tupiniquins as possibilidades da vida online eram muito restritas.

Acho que por ainda ter vivido uma época offline talvez eu não sinta essa necessidade de compartilhar a minha vida nas redes sociais. Nunca tive muitos seguidores e nunca fui um “postador” assíduo. A primeira vez que fui meio que obrigado a ter uma presença online mais ativa foi quando eu estava fazendo stand-up comedy, e era preciso estar postando constantemente para divulgar as apresentações e ficar pensando sobre o que postar, como crescer nas redes, quais são os conteúdos que funcionam para o algoritmo. O tópico “estourar nas redes” era constante neste meio, e foi exatamente o que me afastou dele.

A comédia é uma arte que requer repetição, prática, refinamento. Toda gordura deve ser eliminada, uma palavra a mais pode acabar com uma piada. A necessidade de postar conteúdos fazia com que materiais que ainda poderiam ser refinados fossem jogados para o meu restrito mundo antes que estivessem prontos. A cobrança para divulgar as apresentações me estressavam. Modéstia parte eu até era bom no palco, adorava estar com o holofote no rosto tentando controlar o ambiente, mas eu não me sentia bem fora.

No stand-up tive a oportunidade de ver algumas pessoas que são bem-sucedidas nas redes, mas uma coisa que observei era que poucos eram engraçados no palco. Os humoristas mais engraçados eram o que eram pessoas de verdade no palco e não estavam tentando fingir ser alguém que não eram por 15 minutos. É aí que cai a minha grande crítica às redes sociais.

A necessidade de agradar o algoritmo mata a criatividade. Você se coloca em uma caixa onde é obrigado a criar o mesmo conteúdo ad infinitum. Se você ousar mudar a fórmula, deixar de postar um dia, falar algo juridicamente incorreto, entre outros pecados digitais, os seus números despencam. São poucos os que conseguem os seus cinco minutos de fama e fazer um conteúdo que se mantem interessante por mais de um mês, menos ainda são os que conseguem se renovar e se em voga. Quase tudo é descartável.

Muitos daqueles que possuíam números assombrosos nas redes quando subiam no palco e ficavam de frente com pessoas que não os conheciam se davam mal, e era difícil de assistir.

Em diversos casos os números das redes sociais são mentirosos, dizem por aí que a maioria dos perfis nestes sites são falsos. Li em algum canto que 70% das contas do Twitter, atual X, não possuem um lastro na vida real. Mas mesmo aqueles que sabem disso sentem aquela explosão de dopamina quando veem que centenas, milhares ou até milhões assistiram o seu vídeo fazendo a trend do momento e fica muito triste se apenas os seus familiares e amigos mais próximos assistiram aquele conteúdo que criou com todo esmero, mas que passou despercebido.

Essa distorção é assombrosa. Uma pessoa ficar triste que 50 pessoas curtiram e comentaram o seu conteúdo. O dia em que subi no palco e tinham 50 pessoas rindo e me aplaudindo em cima do palco foi uma das coisas mais sensacionais que eu senti na vida, a adrenalina correndo nas veias, uma sensação sem igual. Imagine você estar andando na rua e 50 pessoas lhe dirigirem a palavra para lhe elogiar, garanto que chegará em casa com a autoestima no teto. Mas ainda assim preferimos 1000 likes de robôs russos do que 30 de pessoas reais. Chega-se ao ridículo de comprar números falsos para tentar viralizar. Aquela banda com centenas de milhares de reproduções, mas que não consegue vender 50 ingressos, aquela pessoa com milhões de seguidores, mas com 5 comentários na publicação das quais um é de sua tia crente e os outro quatros são “look my stories for photos of my pussy”.

Os estímulos dopaminérgicos proporcionados pelo uso das redes sociais em um assunto bem estudado e do conhecimento de todos, mas temos que admitir: nós estamos viciados. Não existe maneira saudável de consumir conteúdos nas redes. Estas são ferramentas desenvolvidas por uma seleção dos mais altos especialistas para roubar cada minuto do seu tempo. No capitalismo digital a atenção é a moeda, e as Big Tech querem cada centavo seu. Entenda: se é grátis, o produto é você. Não importa a reação. Nojo, alegria, prazer, tristeza, alívio e raiva são a mesma coisa. Se lhe faz gastar um segundo a mais dentro da plataforma o algoritmo vai lhe entregar. 

Esse é o mesmo motivo que levaram à morte da conversa saudável. Tudo é politizado. Para se ter uma opinião primeiro é necessário saber quais as posições de Lula e Bolsonaro, ou se Donald Trump é a favor ou contra o tópico. Aí sim eu posso saber qual é a minha opinião sobre o assunto. Daqui a 6 meses as posições se invertem e agora eu sou a favor do que era contra, e assim segue o debate público, as famílias se dividem e as amizades terminam. Alguém com mais de dois neurônios consegue ter paciência para isso? 

Enfim, acho os nenhum leitores desse texto compreenderam o que eu quero falar sobre a importância de ter uma presença online fora das redes. Não pretendo me alongar muito. É preciso ser uma pessoa de verdade, e eu não quero ser o que o algoritmo quer que eu seja. A minha autonomia é inestimável. Irei fazer o que me interessa sem se importar se alguém vai consumir. No fim a sociedade vai decidir o que este blog vale.


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